Tudo estava bem, tinha uma vida perfeitamente normal até a dor de garganta e o cansaço aparecerem, 'mãe, sinto-me tão cansada não consigo andar, e tenho o meu pescoço grande', 'vamos para o hospital, isso não é normal', depois de horas a soro, e um raio-x que nem sequer o viram disseram-me, 'isso não é nada de especial, tens apenas mononucleose infecciosa, mais conhecida por doença do beijo, toma brufen durante uma semana que isso passa', passou essa semana e sentindo-me cada vez pior, quinta feira dia 16 de junho de 2011, não me sentia melhor, muito pelo contrário, cada vez mais cansada e sem forças, a decisão foi imediata 'filha vamos ao Dr. Luis Marçal para ver o que ele te diz', assim foi, fui à consulta expliquei a situação e ele disse-me 'se é isso que tens, vais fazer uma ecografia porque essa doença pode afectar-te outros orgãos e aí irá ser bem pior', combinei tudo muito bem com ele e continuei a tomar aquilo que me disseram no hospital, na sexta a minha mãe marcou a ecografia e passei o fim de semana na mesma. Segunda feira, dia 20 de junho de 2011, o pior dia, o dia que me marcou, fazer ecografia, estar não sei quantas horas sem comer, lá fui eu para Benavente pensando não ser nada, resultado, derrame pleural, 'mas que raio mãe, o que é isto?' 'não sei, mas também não vamos para a glória, vamos visitar a prima Manuela e quando o Dr.Luis Marçal chegar vamos lá para saber.' Fiquei a tarde em pulgas para saber o que era, aquilo que encontrava na internet não se enquadrava com a suposta doença que diziam eu ter. Chegou a hora, fui à consulta, o Luis Marçal leu o relatório e as únicas palavras que saíram da sua boca foram 'minha querida, tu daqui vais a casa fazer as tuas malas e vais para o hospital de Santarém, a coisa está séria, vou-lhes escrever uma carta para estarem a par da situação', lágrimas, lágrimas e lágrimas corriam pelo meu rosto, mas assim fiz, vim a casa preparei as minhas coisas e lá fui eu para Santarém a chorar, entrei na triagem leram a carta e já nem fui para a sala de espera novamente fiquei lá dentro com uma pulseira amarela dentro daquele contentor, afinal o que eu tinha ? Tinha o pulmão direito 'esmagado', tinha tanto liquido que fez com que ele ficasse um quarto do seu tamanho normal. Do que me lembro mais desse dia ? Lembro-me de me espetarem uma agulha com cerca de 30 cm nas minhas costas para fazer análise ao tal liquido, a partir dai foi tudo um inferno, as noites sem dormir, os dias sem comer, sem ter a minha mãe ao pé de mim, lembro-me de pouca coisa em Santarém, fazia raio-x a toda a hora, puseram o meu pulmão a drenar mas não me lembro e fizeram uma biópsia ao gânglio maior e aí chamaram a minha mãe para ficar comigo dia e noite e desde aí ela nunca mais e deixou sozinha. Sexta feira, dia 24 de junho de 2011 por volta das 9h da manhã segui viagem até ao IPO de Lisboa, viagem horrivel, ambulância sem condições, eu deitada com um tubo nas minhas costelas para tirar aquele liquido maldito, cheguei lá completamente arrasada, mas também não perderam tempo, a minha querida enfermeira Ana Catarina recebeu-me com todo o amor possível, fizeram-me logo análises ao sangue e um medulograma (análise ao liquido da medula) e a Ana Catarina no fim disse-me 'nós temos chocapics, queres?' eu não consegui recusar e lá vieram eles a única coisa que eu disse foi 'estes não são os verdadeiros, não quero', estava cansada, estava confusa, queria saber que hospital era aquele e porque que eu estava lá, 'mãe, pai, porque isto tudo?', ninguém me soube responder, a minha família estava de rastos e ninguém nos explicava o que se estava a passar, até que apareceu a Dr. Sara Gomes e a Dr. Susana Carvalho e nos disseram que não tinham ainda a certeza daquilo que eu tinha e que só no fim de terem o resultado da minha biopsia ao gânglio poderiam dizer. Passei um fim de semana complicado, ainda confusa e chorava muito. Segunda feira, dia 27 de junho de 2011, o meu irmão teve de levar a biopsia de Santarém até Lisboa, em Santarém só saberia o resultado três semanas depois e aí poderia ser tarde demais, enquanto em Lisboa nessa mesma semana eu já sabia o resultado, não me lembro ao certo de dia mas se não estou enganada foi à quinta feira, dia 31 de junho de 2011, que a Dr. Susana Carvalho nos disse 'tens uma leucemia, mas há vários tipos de leucemia e a tua chama-se Leucemia Linfoblástica Aguda tipo t', para mim tudo o que ela estava a dizer era chinês, só me recordo de ter começado a chorar muito e de a médica dizer que as leucemias são os tipos de cancro com mais sucesso na 'cura', mas eu não a quis ouvir, queria estar sozinha, compreenderam todos e fiquei apenas eu e a minha companheira de quarto a Maria José, a quem eu agradeço por tudo e por todas as palavras que me disse, foi ela que me incentivou a lutar e não desistir porque ela estava ali por uma recaída, ou seja, ia passar por tudo novamente e não desistiu estava ali a lutar pela vida para poder educar os seus dois filhos, foi ela que me incentivou a cortar o cabelo sem qualquer tipo de medo, infelizmente nunca mais soube nada dela. A minha mãe esclareceu tudo com a médica, falaram à parte e depois veio ter comigo, estávamos todos muito abalados, nunca pensamos que aquilo poderia vir a acontecer, mal comia, pensava a toda a hora o iria ser de mim, da minha vida, que que eu poderia ou não fazer. Estava em Lisboa, não sabia o que tinha mas na Glória e em Marinhais já andava as típicas conversas, do tipo já não tem um pulmão, já não tem um rim, já cortou o cabelo, conversas que a mim me chocavam imenso. Não perderam tempo, sexta feira, dia 1 de julho de 2011, a minha primeira quimioterapia, que eu me lembra não tive reacções, fiquei a olhar como eles faziam aquilo, a maneira como estavam vestidos, uma grande capa azul, umas luvas próprias para pôr a quimioterapia, uma máscara a tapar a boca e uma protecção para os olhos, não sabia onde se punha, e vi que era na veia, podem dizer que o vermelho é pior, é o que mata como se diz aqui na terra, para mim não é, e digo já levei quimioterapia de 3 cores, vermelho, amarelo e transparente, para mim o pior foi sem dúvida o amarelo, eu vomitava tudo amarelo, todas as necessidades que fazia eram amarelas, não é a cor da quimioterapia que importa mas sim o quanto ela é forte ou não, no inicio ainda apontava os dias em que fazia quimioterapia mas desisti após umas vezes, mas ainda apontei o dia 1,2,3,4,8, 15 e 22 de julho de 2011. Muitas visitas, todos os dias recebia à volta de 10 pessoas no meu quarto. Terça feira, dia 5 julho de 2011, tinha acabado de almoçar, a minha mãe tinha ido almoçar, a minha tia e a minha prima ficaram no quarto comigo, entra uma senhora já de idade no meu quarto e eu faço a pergunta na minha cabeça 'quem é?' e foi quando ela disse 'ouvi dizer que há alguém que quer cortar o cabelo', não estava a espera mas disse que era eu, levantei-me com todo o cuidado, pois ainda tinha o dreno, e sentei-me numa cadeira e começou, só custou a primeira tesourada, depois foi tudo mais fácil e com um sorriso só ouvia 'estás linda' e olhei-me ao espelho no fim de tudo e gostei do que estava a ver, na altura gostei, voltei a deitar-me, fotografias e mais fotografias, a minha mãe voltou do almoço e não sabia o que lhe esperava, entrou, olhou e disse 'ai que a minha menina está tão linda', e tirei uma fotografia com ela, só passava a mão pela cabeça e dizia que era fofinho, na altura gostava mas foi difícil de me habituar. Quinta feira, 7 julho de 2011, a minha mãe fez anos e tornou-se num dia muito especial, tirei o meu dreno, parece que o pulmão estava bom, lá fui eu sentada numa cadeira de rodas com o David até a pneumologia, sentada no sofá cheia de nervos até que o outro doente saísse de lá, chegou a minha vez, entrei, e enquanto conversavam comigo deram-me anestesia geral e adormeci logo, quando acordei não consegui fazer mais nada senão chorar, chorei tanto mas tanto, de alegria por ter tirado aquela coisa horrível que me causava mau estar, esse sofrimento tinha acabado, deram-me um rebuçado e chamei pela minha mãe e pelo meu irmão, quando vieram só disse 'eu estou cheia de fome mano, vai buscar uma tosta enquanto vou para o quarto', não comia desde o pequeno almoço e já eram 5h da tarde, comi a tosta toda e ela era bem grande. Segunda feira, dia 11 de julho de 2011, as visitas nesse dia foram só o meu irmão, a minha avó e o meu avô, estava com a minha avó, o meu irmão e a minha mãe no quarto quando a Dr. Susana entra no meu quarto e só diz 'queres ir para casa hoje ou amanha?' e eu sem saber como reagir comecei e rir 'quero ir já hoje', 'então vou preparar as coisas, já venho', ninguém conseguia reagir, ninguém se mexia, ninguém me ia buscar a roupa nem arranjavam a mala, até que o meu irmão disse 'entao? mexam-se, arranjem as coisas', estava tão contente, ia respirar ar puro, ia sair do hospital, ia para a minha terra, ia para a minha casa, as noites a chorar tinham acabado, era como se fosse um milagre para mim, apesar de saber que teria de voltar lá após alguns dias, fiz uma surpresa ao meu pai, ele nem queria acreditar quando me viu, nem as minhas vizinhas, ninguém queria acreditar. A primeira noite foi difícil, não consegui dormir a noite inteira, foram dias e dias a comer demasiado devido à cortisona, era capaz de comer 4 fatias de pão caseiro torrado as 9:30h da manhã e às 11h estar a comer uma salada de tomate com atum, não sei explicar mas era uma coisa que eu não conseguia controlar, eu tinha sempre fome, chegava a acordar de noite para comer um cachorro quente, era mesmo uma coisa por demais, aqueles dias em casa fizeram-me bem, distraí-me, recebi milhares de visitas desde de manhazinha até à noite, sem almoçar nem jantar descansada, ao fim de uns dias já tinha recebido a noticia que ia voltar a ficar internada, como sempre chorei, mas lá teve de ser. Segunda feira, dia 1 de agosto de 2011 eu lá deitada naquela cama, nem esperava a semana que ia ter levei a 'quimioterapia amarela', foi horrivel, não comia nem bebia nada, e tudo o que comia vomitava, e o que mais me assustava era que todas as necessidade que fazia era amarelo completamente, ate a vomitar era amarelo, de noite tinha de acordar de hora a hora para urinar, tinha perder aquele x de liquidos por noite, a quimioterapia era mesmo forte, e deu conta de mim nessa semana, eu rezava a Deus para não vomitar mais porque não aguentava mais, nessa semana pûs um cateter mas daqueles que se tira quando o internamento acaba, ou seja, cateter externo , dores horriveis, isso acontece à noite, no outro dia de amanha chorei porque não conseguia mexer o meu braço, estava dormente, talvez tenha apanhado um nervo e a Dr. Sara resolveu o assunto com 3mg de morfina, a cada dia que passava sentia-me melhor, já não vomitava tanta vez, sábado, dia 6 de agosto de 2011, finalmente saí daquele hospital, mais uns diazinhos em casa, maravilha, passar as festas da terra em casa, sentia-me super bem e nada pronta para voltar a mais um internamento, terça feira, dia 23 de agosto de 2011, 'não quero acordar mãe, não quero ir', 'mas tem de ser filhota, vá vamos', eu em Lisboa novamente, desta vez tive uma má notícia, das outras vezes a minha mãe dormia num cadeirão ao pé de mim, mas daquela vez não deixaram, e voltei a chorar até adormecer, foi uma semana calma nem vomitar nem nada, tudo tranquilo, sábado, dia 27 de agosto finalmente saí, a partir daí estive sempre em casa indo lá quase todas as semanas, outros dias murcha, outros dias bem, outros dias a vomitar, outros dias em Lisboa, outros dias em casa, uns dias a tomar quimioterapia em comprimidos (sim, faço 14 dias de quimioterapia em comprimidos, como, estou 1h sem comer, tomo os comprimidos e volto a estar 2h sem comer, ou seja estou 3h sem comer, e não posso mexer-lhes, tenho de os tomar através de um copo), outros dias a tomar cortisona (e fico super inchada) e já sei que quando acabo os 5 dias de cortisona vem as dores nas pernas, já cheguei a ir ás urgências por isso, sem conseguir andar, inicio da escola, estava ansiosa queria mesmo ir para escola, fui bem recebida por todos, todos me trataram com todo o carinho possível, depois de ter ido 2 dias recebi um telefonema a dizer que tinha de ir ao IPO ter consulta, comecei a chorar de raiva porque queria ir a escola e sentia-me revoltada com isto tudo e só gritava 'eu não aguento mais', eu estou farta disto' o meu irmão abraçou-me com toda a força possível e senti-me super segura, senti-me que ele vai estar comigo até ao fim, sempre ao meu lado, e os dias foram passando, quinta feira, dia 17 de novembro, dia de pôr um cateter interno, chorei novamente, tudo o que eu faço pela primeira vez assusta-me e começo a chorar, chamaram a minha mãe e ela esteve sempre ao meu lado, tinha mesmo que o pôr cada vez que me espetavam a veia acabavam por as rebentar todas e tinha dores até mais não, acabei por fazer febre e ir para as urgências e ficar internada de terça feira, dia 22 de novembro até quinta feira, dia 24 de novembro, foram poucos dias. Hoje já é quarta feira, dia 18 de janeiro de 2012 e tem tudo corrido tudo bem até agora, uns dias a vomitar, outros com dores, outros em Lisboa, uns dias a chorar, outros a rir, faço aquilo que posso, desisti da escola não ia lá quase dia nenhum e estava só a prejudicar-me, tomei a melhor decisão, sei que tenho de ter alguns cuidados por isso faço aquilo que acho que não me faz mal, tento divertir-me a minha maneira, se me perguntarem se estou revoltada, eu digo que sim, porque ninguém merece sofrer como eu sofro, isto muda completamente uma pessoa, tanto fisicamente como psicológicamente, acho que crescemos mais na nossa maneira de pensar, vemo-nos ao espelho e perguntamos 'quem és tu? isto à 7 meses não era assim, não era..'
(CONTINUAÇÃO)
Demorou muito até que tivesse coragem para que continuasse esta história que tanto emocionou as pessoas, pois vou voltar a escrever mais qualquer coisinha para que possam saber mais um pouco.
E desde a última vez que escrevi isto é, à cerca de 2 anos, muita coisa mudou, umas para melhor outras para pior.
Nem sei bem por onde começar, pois em 2 anos muita coisa acontece. Como se trata de uma continuação vou tentar me lembrar de todos os pormenores desde o último dia que escrevi.
Como referi no texto anterior em Janeiro já não fui para a escola fiz o primeiro período mas sinceramente não me estava a sentir bem comigo mesma por isso decidi ficar por casa a descansar, foram 9 meses em casa. Tudo me estava a correr bem, o cancro estava a
diminuir, a quimioterapia parecia estar a fazer efeito, tudo estava a caminhar bem e quem me dera que continuasse assim mas tal não aconteceu. Chegou o dia em que os planos de uma vida que se poderia considerar normal chegaram ao fim, 28/4/2012, depois de uma noite bem passada acordei com uma dor na perna que quase me impedia de andar, e foi aí que começou outra batalha. Na quinta-feira a seguir, dia 3/5/2012, tinha a minha consulta e queixei-me e pronto começou a minha rotina noutros hospitais, a Dr. Francesca, uma das melhores médicas que já conheci, examinou-me percebeu logo o que se estava a passar, enviou-me nesse próprio dia para o Hospital Dona Estefânia, que para mim foi a maior desilusão, fiz o raio-x e parece que só veio confirmar aquilo que a doutora desconfiava, lembro-me como se fosse hoje, saiu de casa bem cedo e cheguei a casa de noite. Vou fazer um pequeno aparte para não haver dúvidas nem haver histórias alheias, aquilo que eu tenho na perna é fácil de perceber, eu tenho nada mais nada menos que Necrose da Cabeça do Fêmur e vocês perguntam o que será isto, e eu passo a explicar, todos nós temos uma cabeça do fêmur em cada perna e como eu tomei elevadas doses de cortisona, as células ósseas começaram a morrer ou seja aquela "bola" que temos começa a desaparecer e eu praticamente já não a tenho e por isso vou ser submetida a
uma cirurgia para colocar uma prótese. Como eu estava a dizer os exames só vieram a confirmar o que se suspeitava. E após várias consultas e um verão eu que me ignoraram por completo deram-me atenção devida e fui submetida uma pequena cirurgia em dezembro de 2012 que até poderia ter resultado se não fosse demasiado tarde. Passei 6 meses sem ter uma única consulta sem que alguém desse alguma solução ao problema, fui-me abaixo, tentando habituar-me à ideia que teria de usar canadianas durante muito tempo não foi uns tempos fáceis, o mau humor veio e permaneceu, as lágrimas que chorei porque alguém que tem uma doenças destas não merecia passar por mais nada mesmo mais nada, foram e são tempos dificeis. Vendo que ali já não me davam solução fui transferida para o Hospital Curry Cabral dirigida ao Dr. Pedro Dantas, considerado pelo Dr. Delfim do Hospital Dona Estefânia um dos melhores médicos de ortopedia de Lisboa. Nas primeiros consulta sempre concordei com que o médico disse, não poderia ser operada enquanto estivesse a fazer quimioterepia pois é uma operação de alto risco e as minhas defesas precisavam de estar bem para poder ser operada, tudo até aí concordei. E passou-se os meses a fazer quimioterapia, a ter consultas e fazer exames atrás de exames, até que se chegou o dia mais desejado por mim e pelos meus, dia 27/6/2013 acabou-se a quimioterapia, acabou-se parte do sofrimento, FINALMENTE as coisas estavam a tomar o seu rumo, mas há sempre um mas, fui a uma consulta no Hospital Curry Cabral, depois de acabar a quimioterapia, e o médico não me queria operar, o mundo caiu-me aos pés, já não sabia o que fazer nem o que dizer, foi mais forte que eu e explodi disse coisas que devia e que não devia, pois ele dizia que podia fazer a minha vida normal enquanto as coisas não são bem assim, ninguém é de ferro, tenho sentimentos e também tenho uma vida que está a ser prejudicada, já andava há uma ano e tal de canadianas nessa altura, hoje ando à 1 ano e 9 meses de canasianas e ninguém merece isso. Depois daquela consulta já estava disposta a ir para um hospital privado pagar aquilo que fosse preciso para ter uma vida razoavel, mas depois de uma conversa com a minha médica, a pessoa mais maravilhosa, a Dr. Susana entendeu a minha situação e encaminhou-me para um hospital privado que tal acabou por não ser preciso pois o Dr. Pedro deve ter ficado a pensar no assunto e na consulta seguinte já me queria operar de boa vontade, não percebi a sua mudança repentina mas também não lhe perguntei, de uma consulta para a outra a atitude era totalmente diferente, hoje encontro-me em lista de espera para ser operada e a sofrer se ansiedade pois espero ser operada em breve e sinto medo, como todos nós sentimos, pois não sei o que pode ainda acontecer. No dia 11/12/2013 tirei o cateter, coisa que já não fazia falta pois os tratamentos ja tinham acabado, menos uma.. Praticamente faço a minha vida normal dentro do possível, tento aproveitar a vida ao máximo que posso, divirto-me, tento estar bem com a vida e com o mundo mas nem sempre nos é possível. Não quero que me tomem por coitadinha porque não é isso que quero, quero que me tomem como um exemplo, quero que quando estiverem perante um problema pensem que há sempre alguém pior que nós. Agradeço aos meus pais pelo que têm feito por mim, pelo esforço que têm feito. Acreditem que os nossos pais são a melhor coisa da nossa vida, quando acontece algo são eles nos apoiam, são eles que estão sempre do nosso lado, são eles que dão tudo por nós. Guardo no coração todos aqueles que fizeram parte desta história, uns por por me terem desiludido outros por me terem surpreendido, aqueles que do nada se tornaram tudo e aqueles que de tudo se tornaram nada ou quase nada, aqueles que não sei porquê sempre me acarinharam e sempre me fizeram sentir especial, agradeço a todos pela pessoa que me tornaram, aprendi muito com a vida que levei durante estes 2 anos e 7 meses. Terei sempre gosto em escrever aqui pois se falar sinto que ninguém me compreende e assim todos sabem aquilo que passei.. Sejam felizes :)
